Vitor Pereira Jr
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07/08/2017 20h06
A primeira publicação

Saudações, amigos leitores e escritores!

Hoje eu quero contar sobre como embarquei na carreira de escritor publicado. Como muitos de nós escritores, escrevia desde criança, compartilhando poemas e estórias com a família e amigos da escola. Em 2006, guardava eu uma penca de poemas e contos só comigo mesmo, até que resolvi publicá-los na internet sem qualquer compromisso, apenas para continuar compartilhando poemas e estórias, agora no meio digital (Era 2006, e para alguém nascido em 1980, isso era uma novidade para mim).

E eis que um belo dia, um editor entra em contato, comenta que gostou de um de meus contos de terror, “Natal em Allanshire”, e me convida para publicá-lo em uma coletânea. O editor era ninguém menos que o escritor Edson Rossatto, da Andross editora, e a antologia de terror era nada menos que a antologia Noctâmbulos. Surpreso e animado pelo convite, fui tirando minhas dúvidas e me envolvendo com o projeto, tudo novidade para mim naquela época (E que conste que lá nos idos anos de 2007, o contato com os escritores e as atualizações sobre a organização do livro se davam pelo bom e velho Orkut).

Ainda perplexo com o processo, só me dei conta de que um filho literário havia nascido quando peguei o livro em mãos e o folheei. E lá estava ele, meu conto, publicado em um livro impresso!! Qualquer um que tem seu conto impresso sabe do que estou falando. E para cada vez que outro filho nasce, a emoção é a mesma. De lá para cá vieram outras parcerias com a Andross em vários outros contos e poesias publicados em suas antologias: Mentes Inquietas, Sonhos Lúcidos, O Segredo da Crisálida II, Livre para Voar, Xeque-Mate, e o primeiro romance fix-up da Andross editora e classificado como um dos melhores livros de terror de 2015 pela Biblioteca do Terror, o King Edgar Hotel (Edson Rossato mal sabia que enquanto ele revelava ao vivo para todos os escritores da edição do Livros em Pauta de 2014 sobre o projeto recém-saído de uma tal antologia toda vivida em um mesmo hotel, lá estava eu, sentado logo à frente dele naquela sala, já decidindo que o último conto do King Edgar Hotel tinha que ser meu! E lá mesmo surgiu a ideia do último conto do King Edgar Hotel, bem na frente do editor!).

Hoje, tanto com a Andross quanto em parcerias com outras editoras, tenho 18 contos e 27 poemas em publicações impressas. E sei que muito tenho ainda a aprender, conhecer, e, claro, escrever.

E foi assim que, graças ao convite inicial do escritor e editor Edson Rossato (que lá estava lendo meu conto pela internet certa feita em 2007) e à Andross, tive a oportunidade de conhecer muitos escritores e editores, trocar ideias, receber e dar incentivos a escrever e publicar, e, principalmente, a oportunidade de sempre me aprimorar. Por isso, se sua imaginação o chama a contar estórias, não recuse o chamado. Trilhe sua jornada, aprenda com os companheiros de viagem, e mãos à obra!

 

P.S.

E para recordar os exatos dez anos em que comecei a publicar em livros impressos, aqui está o link para o projeto da antologia de terror Noctâmbulos, onde jazem contos sobrenaturais, de suspense e de terror!http://www.andross.com.br/livro_publicado.php?evto=108


Publicado por Vitor Pereira Jr em 07/08/2017 às 20h06
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02/08/2017 20h01
Para ler como um escritor

 

Para ler como um escritor – Um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los – de Francine Prose, escritora e professora de literatura em Harvard por 20 anos, e com acréscimos à edição brasileira de Italo Moriconi – é a dica para um excelente mergulho no mundo da literatura universal.

 

De um jeito didático e apaixonado, Prose nos apresenta todos os aspectos da escrita por meio do método da “leitura atenta” (close reading, no original), onde o leitor adquire a competência de se atentar profundamente a todos os aspectos do texto literário, desde a escolha das palavras até o estilo empregado no texto, a fim de entender cada escolha do autor. Prose começa detalhando sobre a escolha das palavras, e vai se aprofundando nas frases, parágrafos, narração, até chegar ao personagem, diálogo, detalhes nas narrativas, e gesto. Prose também reserva um capítulo saboroso sobre aprender com Tchekhov.

 

As dicas literárias de Prose estimulam o escritor a como decidir sobre a melhor escolha para cada palavra de uma frase, sobre como cada frase deve ter a inteligibilidade e a graça de impressionar o leitor, prendendo-o ao ritmo da narrativa, sobre o efeito de uma quebra de parágrafo, dentre muitos outros preciosos ensinamentos.

 

Esmiuçando vários trechos de narrativas clássicas da literatura e com uma proposta de autores preferidos para se ler e estudar IMEDIATAMENTE, fica impossível deixar de ter em casa uma coleção de Isaac Babel, Ernest Hemingway, Franz Kafka, Katherine Mansfield, Virginia Woolf, Anton Tchechov, entre tantos outros.

 

Para ler como um escritor é uma verdadeira aula impressa de literatura para se guardar na primeira prateleira da sua estante e visitá-la muitas e muitas vezes.  


Publicado por Vitor Pereira Jr em 02/08/2017 às 20h01
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26/07/2017 16h51
Dia dos avós

     Neste dia dos avós, gostaria de compartilhar esta crônica sobre meu avô, que se foi ano passado.

     O último abraço

       O último abraço, embora não quisesse, sabia bem no fundo mais apertado da alma que era o último abraço. Por esta razão não foi um abraço qualquer.
       Aconteceu em uma manhã cinzenta e chuvosa. Eu, chegando na meia vida, e vovô, no termo. Ele, que sempre parecia estar onde queria estar. Ele que, como poucos podem dizer, viveu uma vida plena. E, como se tivesse escolhido viver até ali, escolhia de bom grado estar ali, na linha de chegada.
       Mas o último abraço não começou como abraço. Começou com apertos de mão, cafunés, beijos no rosto, graças e juras. Só no final ele veio – o último abraço –, zeloso, demorado, doído e solene. Abraço que assou pão, cuscuz, que pintou quadros, que montou miniaturas, que estudou italiano sem precisar, que lia por prazer, que debatia História, que ouvia música clássica, que assistia ópera, que levou os netos a teatro, balé e museu, que criticava com dureza meus poemas e meus contos, e que sempre gostou de meus desenhos; abraço que foi meu exemplo, que foi meu padrinho de crisma, que dividia as leituras da missa comigo todo domingo; abraço que acalentou meu filho; que zelou esposa, filhos, netos e bisnetos; aquele abraço no topo da escadaria, na chegada e na saída. Mas, como último abraço, era um abraço de nunca mais. Nunca mais escutaria sua voz ou aspiraria seu cheiro, nunca mais sentiria sua respiração, seu calor, nem cada parte ou forma de seu abraço em meu abraço. Nossos corações nunca mais se sentiriam batendo um contra o outro. Com ele se iam o pão assado, as músicas clássicas, as óperas, as leituras. Nada disso eu levaria, tudo mortal.
       Assim foi o último abraço, um adeus à mortalidade, às coisas frágeis. Um adeus desabraçado. Mas o que ficou abraçado em mim quando vovô dispersou-se de volta ao universo, não foram as coisas frágeis e mortais, foram justamente os tesouros que não se corroem nem ninguém nos pode tirar: a honestidade, a determinação, a honradez, a dignidade, a lealdade, a sapiência, a integridade, o zelo, a bondade, o senso de dever. Esses tesouros foram a herança que abracei. E, abraçados em mim para sempre, para minhas futuras gerações os entregarei, como abraços. Imortais.


Publicado por Vitor Pereira Jr em 26/07/2017 às 16h51
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25/07/2017 17h46
Dia do Escritor

     Feliz Dia Nacional do Escritor a todos os amantes da arte literária! Parabéns a todos que consagram a cultura em nosso mundo!

     E se seus personagens criassem vida? Como sua vida seria?

     Aconteceu com Bruno em "O admirável mundo de Bruno"

     http://www.vitorpereirajr.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=4546380

     Obrigado pelas visitas e boas leituras!!

     Vitor Perteira Jr.


Publicado por Vitor Pereira Jr em 25/07/2017 às 17h46
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18/07/2017 19h59
Cativar

     Olá. Gostaria de começar o diário do site com um texto sobre um dos primeiros livros que li na infância: “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, de 1943. Creio que a palavra mais marcante do livro seja CATIVAR, e é sobre ela que quero abrir este diário.

     Qualquer pessoa que lê a palavra CATIVAR, talvez se recorde que a leu pela primeira vez na cena em que o Pequeno Príncipe se encontra com a raposa. No original, o escritor francês usa o termo “apprivoiser”, que significa literalmente “privar”, “tornar algo privado, particular”, ao contrário de tornar algo público, comum: “Serás para mim único no mundo”. Nesse sentido, temos que dar os parabéns não só para o autor mas para a tradução do francês para o português, porque CATIVAR também tem este significado, e muito mais. CATIVAR vem do latim captivus, que significa “apreendido”. Voltarei à raiz de captivus mais adiante. Assim temos a palavra Cativeiro, o lugar onde fica o apreendido, e o verbo capturar, que significa apreender. Escolhi a expressão APREENDER de propósito, porque não só a utilizamos com o sentido de fazer algo ou alguém prisioneiro ou detido, mas também no sentido de assimilar um conhecimento, captar. APREENDER e APRENDER têm a mesma origem, “pegar para si”, neste caso, o conhecimento. E então CATIVAR é APREENDER o outro, é APRENDER com o outro, é CONHECER o outro. CATIVAR, assim como o termo francês “apprivoiser” também tem o sinônimo de DOMESTICAR. Mais uma vez, é preciso compreender que a origem da palavra DOMESTICAR significa “trazer para casa”. CATIVAR é saber trazer o outro para sua casa, para o seu convívio. O que nos leva a mais uma expressão utilizada por Saint-Exupéry para explicar o que significa CATIVAR. A raposa responde ao Pequeno Príncipe que CATIVAR é “criar laços”. No original: “créer des liens”. “Liens” quer dizer elo, o elo que une a corrente. CATIVAR, portanto, é criar um ELO com a pessoa, é se prender a ela, como os elos de uma corrente, é estar preso a ela, laçado a ela, apreendido, LIGADO, CONECTADO. Mas não basta laçar o outro. É estar ao mesmo tempo laçado pelo outro, é estar ENTRELAÇADO. Para este ato de um laçar o outro é que temos a palavra RELACIONAR. E quando se está relacionado, preso ao outro, não se está solto. CATIVAR é também não soltar o laço, não perder a conexão. Por isso que a raposa diz: “Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro”. A palavra NECESSIDADE significa “Não ceder”. Então CATIVAR é um processo até mesmo complexo. Primeiro, é um ato de trazer a pessoa para si ao mesmo tempo em que se é levado por ela também. Este primeiro passo é se entrelaçar. Agora temos uma segunda etapa, é preciso manter a ligação, não deixar este laço se romper. Para o primeiro passo, o autor revela que é preciso ter paciência. Para o segundo passo é preciso ter responsabilidade: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Mas paciência e responsabilidade são habilidades a serem desenvolvidas.

     A palavra paciência tem a mesma raiz da palavra paixão, e significa “saber suportar a carga, saber sofrer”. Isto nos remete à Paixão de Cristo, quando o Cristo carrega sua cruz, carrega o sofrimento do mundo. Clésio Tapety não se esqueceu deste detalhe quando compôs a famosa música religiosa Cativar. Cativar é: “também carregar um pouquinho da dor que alguém tem que levar”, diz a música. CATIVAR envolve PACIÊNCIA: “Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante”. CATIVAR é IMPORTAR-SE. Importar significa “carregar para dentro”. Importar-se com alguém é escolher carregar a pessoa dentro de si. CATIVAR envolve saber PERDER. É preciso entender que a palavra perder, assim como perdoar, vem do latim perdare, que significa “dar-se completamente, dar sem reter para si”. Assim, temos a dialética de cativar, o perder/importar-se: ao mesmo tempo em que me entrego para o outro eu me preencho com o outro. Ao mesmo tempo em que o outro se entrega para mim ele é preenchido por mim.

     Já a palavra responsável tem o mesmo sentido de responder, e significa “comprometer-se de volta”. CATIVAR envolve COMPROMISSO. Não pode ser uma relação egoísta. É saber comprometer-se com o outro e saber receber o compromisso de volta. CATIVAR é RECEBER, é ACOLHER. Receber e acolher têm o sentido de “saber pegar para si”. Então CATIVAR se torna uma questão de aprender a desenvolver uma capacidade específica. É uma questão de aprender uma prática específica. Para tanto Saint-Exupéry se utilizou da palavra rito: “É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias”, “A hora de preparar meu coração”, diz a raposa.

     Aí voltamos para a raiz etimológica de CATIVAR. O termo captivus vem do sânscrito kapati, que significa pegar, apreender, ser capaz de algo. Sim, ser CAPAZ também vem de kapati. Por isso a palavra APREENDER tem tanto o sentido de prender algo para si quanto pode ser a capacidade de se conhecer algo. Nesse sentido, mais uma vez Saint-Exupéry nos impressiona com mais um exemplo do que é cativar. Cativar é PERCEBER o outro: “Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros”. A palavra perceber vem do latim percipere, que significa apreender completamente, apreender com todos os sentidos humanos. A raposa escuta um barulho que é diferente de todos os outros. Ela PERCEBE a diferença. Ela está sensível ao outro. Este é o segredo final da raposa: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Perceber é ver com o coração. CATIVAR é VER COM O CORAÇÃO. É um ato de preparar o coração para este compromisso. E isto requer também uma boa dose de CORAGEM. Coragem quer dizer “agir com a força do coração”.

     Conclusão, CATIVAR É A CAPACIDADE DE APRENDER A PERCEBER O OUTRO COM A FORÇA DO CORAÇÃO, TRAZENDO-O PARA SI, ENTRELAÇANDO-SE, COM PACIÊNCIA E RESPONSABILIDADE.

     Obrigado pela lição, Saint-Exupéry.


Publicado por Vitor Pereira Jr em 18/07/2017 às 19h59
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