Vitor Pereira Jr
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31/12/2017 16h38
DICAS DE ESCRITA - Parte 4 – A ALMA DAS NARRATIVAS

 

Sejam muito bem-vindos, caros visitantes!

Chegamos ao nosso último tema sobre pequenas Dicas de Escrita, a NARRATIVA. Nas postagens anteriores, vimos que uma boa estória prende e surpreende o leitor do início ao fim, presenteando-o com uma verdade humana significativa. Narrativa é a arte de contar estórias, e, como escritores, devemos encontrar o melhor jeito de se contar uma estória. Mas o que dá vida às estórias?

Toda narrativa precisa de uma alma e de um corpo. Nesta postagem, falaremos da alma das narrativas, a essência de toda boa estória. Preparado? Vamos lá.

 

O QUE UMA ESTÓRIA PRECISA SER

Estória é ação. E toda estória, mesmo uma estória cotidiana – como nas crônicas – deve revelar ao leitor alguma verdade humana. Portanto, até as ações mais cotidianas devem possuir um significado para serem narradas. Como seres humanos, temos muitos sentimentos para compartilhar. Sentimos medo, tristeza, ansiedade, alegria, raiva, amor. Também passamos por experiências de vida que gostaríamos de compartilhar além de gostarmos de conhecer experiências de vida de outras pessoas. Isso nos inspira e nos torna pessoas mais interessantes. Por isso, não importa se o gênero é realismo, fantasia, terror, ficção científica, infantil. Sentimentos e experiências de vida que tragam significado para o leitor deixarão sua estória mais humana, verossímil, e atraente.

Alcance o coração do leitor fazendo-o reviver as emoções que seus personagens sentiram. Para isso, escreva algo significativo, envolvente, inspirador, impactante, e, principalmente, algo que seja valioso para o leitor. Pense em seu texto como um presente. Que presente você quer deixar para ser lido? E, o principal – a ser visto a seguir –, que problemas seus personagens enfrentarão?

 

CONFLITO - A ALMA DE TODA ESTÓRIA

Seus personagens estraram em ação. Seu leitor teve acesso ao mundo deles, aos seus interesses e vivências. Mas para termos uma estória verdadeiramente significativa, que traga emoção e experiência de vida, precisamos que esses personagens sejam testados em seu íntimo, tenham seus valores questionados, sejam provados a ferro e fogo, e terminem a estória diferentes de quando os conhecemos. Para que isso aconteça, o segredo de toda mudança é o CONFLITO. O conflito nada mais é do que um evento que muda a ordem inicial apresentada e que precisa de novas ações dos personagens para ser resolvido, levando a estória a uma nova ordem.

O esquema ORDEM-DESORDENAÇÃO-REORDENAÇÃO é o esquema básico do conflito. O protagonista luta por um objetivo, enfrenta desafios inesperados, passa por um momento crítico, luta para superar o momento crítico, chega ao clímax de sua provação quando o desafio final é resolvido de alguma forma, e descansa da jornada voltando ao mundo como uma pessoa transformada.

O causador mais comum de um conflito é o antagonista. O Lobo Mau para Chapeuzinho, o Capitão Gancho para Peter Pan, Voldemort para Harry Potter, Cláudio para Hamlet. Mas há vezes em que o portador do conflito é uma ameaça impessoal, como uma doença ou uma catástrofe natural. E há vezes em que o conflito está no próprio personagem. O conflito mais debatido na literatura brasileira é o conflito interno de Bentinho, em Dom Casmurro. O conflito de Bentinho está na firme crença pessoal de que Capitu o traiu e não no fato em si.

Por isso, o conflito é a receita que levará a estória da ordem à desordem, resultando em uma luta, que levará por fim a uma nova ordem das coisas. E você? Que conflitos reserva para testar seus personagens até as últimas consequências, e como ele se sairão?

 

OS TRÊS ATOS

Agora que vimos as três etapas do processo de conflito, ORDEM-DESORDENAÇÃO-REORDENAÇÃO, veremos que cada uma dessas etapas tem seu momento específico para surgir na estória. Desde os tempos mais antigos, narrar passa por uma sequência básica: INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO, e CONCLUSÃO. Essa estrutura bem simples de começo/meio/fim é tão básica, mas ao mesmo tempo tão funcional, que é exigência até hoje na redação de trabalhos acadêmicos e científicos, por exemplo, mas também é trivial nos três atos do teatro e no cinema.

No primeiro ato de uma estória, a INTRODUÇÃO, conhecemos uma situação de ORDEM em que os personagens se encontram. Mas, agora que conhecemos os personagens e como eles estão ordenados, algo precisa acontecer a eles. A ordem estabelecida inicialmente precisa ser alterada. É aqui que começa o segundo ato, com a entrada do evento causador da DESORDEM, seja uma ameaça, uma intriga, uma guerra, uma traição, um crime, uma perda etc. O confronto da ordem com a desordem gera o tão esperado conflito, que, como visto, é a alma de toda estória. É aqui que se dá o DESENVOLVIMENTO da estória, é onde o escritor precisará construir a tensão, tecer as intrigas, pavimentar os perigos que os personagens irão enfrentar, atiçando, assim, a curiosidade do leitor pelo próximo passo.

Depois que o conflito é apresentado e desenvolvido, ele agora precisa ser resolvido de alguma forma. A luta entre a ordem e a desordem não dura para sempre, e todos estão ansiosos para ver o desfecho desta luta, como tudo irá terminar. É aqui que começa o terceiro ato, com a CONCLUSÃO desse conflito. Chegamos ao clímax da estória, o momento mais decisivo. A luta da ordem inicial estabelecida no começo da estória contra a desordem resulta finalmente em uma REORDENAÇÃO das coisas, não necessariamente favorável para o protagonista. O escritor deve concluir sua estória com uma solução reveladora, mas também satisfatória, para a trama.

No entanto, o escritor pode optar por manter a tensão no leitor após a estória terminar. Essa escolha é usada mais em contos de suspense e terror, em que o mal ou o perigo não é completamente derrotado e é deixado para a imaginação do leitor completar o que acontecerá após a estória ter chegado ao fim. O protagonista sobreviverá da próxima vez?

 

MANTENDO A TENSÃO

Escritores conseguem nos presentear com estórias fascinantes seguindo a receita trivial das narrativas. Mas que elementos os escritores se utilizam para apimentar essa receita? Para manter a tensão no leitor, surpreenda-o com eventos imprevistos. Você pode rechear a estória com várias reviravoltas – mais comuns em estórias de suspense, policial, e terror. Você também pode reservar um mistério, um perigo ou um segredo a ser resolvido ou revelado. Inserir uma intriga, seja amorosa ou não, também é um tempero conhecido. Um toque especial é deixar a estória em aberto. A trama principal foi resolvida, mas o que acontece depois? A estória termina para o leitor, mas como ela continua para os personagens? A tensão fica no ar. Tchecov era muito bom em usar esse recurso em seus contos.

 

E com essas pequenas dicas de aprendizagem, concluo esse quarto diário de bordo. No próximo e último post, concluiremos o tema da NARRATIVA tratando das formas que podemos dar ao corpo da estória. Que forma possuem as aberturas da estória? Como ela se desenvolve? Que pontos merecem mais atenção do escritor? Veremos isso na próxima postagem!

 

Obrigado pelas visitas.

Gostou das dicas? Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.

Boas leituras, e até a próxima postagem!

 


Publicado por Vitor Pereira Jr em 31/12/2017 às 16h38
Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
09/12/2017 14h37
DICAS DE ESCRITA - Parte 3 - UM PERSONAGEM PARA CADA ESTÓRIA

Bem-vindos, caros visitantes!

Quando vocês escrevem, como pensam em desenvolver seu personagem? Nas postagens anteriores, falamos sobre a missão do escritor e sobre o que os leitores querem. Hoje, falaremos sobre o elemento principal de sua estória, aquele que age e sofre ações na estória, o PERSONAGEM.

A palavra personagem vem do latim persona, que significa máscara teatral. O personagem, portanto, é aquele que representa um papel, que desempenha uma ação. Estória é ação. Qualquer agente de qualquer ação pode ser o personagem de uma estória. E não há limites para uma imaginação prosopopeica. Eventualmente, animais podem ser personagens de uma estória; objetos inanimados como desde uma agulha até uma cidade, e até mesmo elementos da natureza podem ser personagens de uma estória. Mas, normalmente o personagem de uma estória é um ser humano. E é deste personagem humano que vamos tratar aqui hoje.

Por que os personagens são tão importantes para uma estória? Por que alguns personagens são tão inesquecíveis? Quais suas características mais marcantes?

 

Um propósito

O que mais define um personagem é seu interesse em algo. Todo mundo quer alguma coisa, e com seu personagem isso não pode ser diferente. Nossas vidas ficam mais interessantes e estimulantes quando temos propósito. Ter um propósito nos move, nos molda, nos define. Seu personagem deve agir na estória com propósito, é isso que levará a estória adiante até seu desfecho, seja ele qual for. Ter o que se deseja não é garantia de obtê-lo, mas as ações que levarão seu personagem a conseguir o que quer é que são a verdadeira alma da estória.

 

Um conflito

É inegável que evoluímos como pessoas quando entramos em conflito, seja conflito com outras pessoas e suas formas de pensar e agir, seja conflito entre a realidade concreta e nossas expectativas e desejos internos. Seu personagem também precisa de um conflito, uma dificuldade, para que ele evolua, para que ele seja diferente do que ele era no começo da estória. Escritores não devem ter pena de seus personagens. Assim como nós, personagens devem sofrer, devem ser injustiçados, devem ser moldados a ferro e fogo para provarem seu valor. Lembre-se, assim como na vida real, quanto maior for o conflito que seu personagem enfrentar, melhor será a luta, e melhor será a estória que ele terá para nos contar.

 

Um arquétipo e uma jornada

Ter um propósito nos leva a uma busca, a uma jornada, e lutar diante de um conflito nos leva a enfrentar nossos medos e a conhecer nosso lado mais inconsciente e oculto. Com seu personagem acontece a mesma coisa, o que nos leva a conhecer os conceitos de arquétipo e da jornada do herói. Para um escritor, trabalhar com esses temas já tão difundidos, e, às vezes, tão mal difundidos, pode parecer uma cilada. Por ser um assunto tão manjado, parece que todo escritor não só é especialista em Carl Jung, Joseph Campbell e Christopher Vogler, como deveria superá-los para não parecer clichê. Mas não é clichê nem preguiça você se utilizar de figuras arquetípicas e a jornada do herói para enriquecer seu personagem se você o fizer de maneira original, refinada, inteligente e melhorada. Afinal, o próprio Campbell inicia o prólogo de “O herói de mil faces” confessando que “resta muito mais por ser experimentado do que será possível saber ou contar”. Portanto, não há nenhuma pegadinha em se utilizar de arquétipos e da jornada do herói para seu personagem, contanto que isso não limite sua imaginação. Expanda o que você já sabe e nos presenteie com uma nova interpretação, com um novo significado.

 

Uma história não contada

Todos nós entramos na vida uns dos outros já com uma bagagem que carregamos de nossa história. Seu personagem também tem um passado antes de iniciar a estória que você quer contar. Você não precisa explicitar ao leitor o passado do personagem, mas você deixará muito mais rica sua estória se você, escritor, tiver uma descrição clara de que seu personagem tem sua própria história. Desenvolva seu personagem, deixe-o verossímil como nós. Ele veio de algum lugar, teve uma criação familiar, viveu em certa época, recebeu influência de certas pessoas, construiu alguns valores. Tudo isso será revelado ao leitor conforme as decisões, pensamentos e emoções que seu personagem demonstrar. Além disso, reserve para seus leitores um suspense sobre algo no passado do personagem, mas que você, escritor, sabe. Todos nós temos nossos segredos e nunca saberemos de tudo a respeito da vida passada das pessoas que conhecemos. Há sempre algo que explica a reação de alguma pessoa, mas a causa é oculta para nós. Faça o leitor se interessar por isso da mesma forma que nos interessamos pelas vidas dos outros. Deixe o leitor curioso. O que será que levou este personagem a ser assim? Que tipo de infância ele teve? Ele teve outras opções de mudar o rumo da sua vida?

 

Uma visão particular do mundo

Existem muitas formas de se ver o mundo, de encontrar sentido nas coisas. Seu personagem deve ter impressões e expressões que são particulares a ele. Logo de cara, a estória vai ser contada na visão dele. Se o que acontece a ele é real ou não, é a impressão dele que importa. Como ele enxerga o mundo esteticamente, filosoficamente, psicologicamente, emocionalmente? Ele enxerga um mundo monocromático ou multicolorido? Ele vê o mundo à volta com mais pessimismo ou otimismo? Quanto mais seu personagem for fiel à sua própria particularidade, mais honesto ele será e mais o leitor poderá confiar nas decisões que ele tomar. Pessoas possuem personalidade, um conjunto de características típicas do ser humano que lhe são próprias. Escritores sabem que cada um de seus personagens também deve ter uma personalidade própria, é o que o tornará distinto dos demais e o aproximará do vínculo emocional com o leitor.

 

Um toque marcante

Pense em qualquer pessoa que você conheça. Pode ser um amigo ou parente, ou o dono da padaria, ou seu chefe, ou até mesmo uma pessoa desconhecida que você viu na rua um dia desses. Todas essas pessoas possuem características que as marcam, que as tornam distintas. É um jeito de olhar, de falar, de reagir ao mundo e às pessoas, de se alegrar ou se irritar, um trejeito inconsciente, um tique, uma frase típica. Seu personagem ficará muito mais divertido e marcante se ele tiver essas pequenas marcas que nos tornam únicos e reconhecidos. Certamente, seu leitor não se esquecerá dele.

 

E com essas pequenas dicas de aprendizagem, concluo esse terceiro diário de bordo. Destaquei aqui que os personagens possuem características arquetípicas, que eles possuem um passado, que eles veem o mundo de seu jeito particular, e que eles deixam sua marca no mundo.

Na próxima postagem dessa série de dicas de escrita, trataremos das características da NARRATIVA dentro de uma estória.

Gostou dessa postagem? Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.

Boas leituras, e até a próxima!

 

 


Publicado por Vitor Pereira Jr em 09/12/2017 às 14h37
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Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
12/11/2017 14h19
DICAS DE ESCRITA - Parte 2 - A MISSÃO DO ESCRITOR

Bem-vindos, caros visitantes!

Comecei a escrever aqui algumas dicas rápidas sobre como escrever boas narrativas. Na postagem anterior, tratei do LEITOR como o sujeito mais importante da escrita, por ele ser o destinatário de nossos textos. Vimos que o leitor busca textos com significado de vida, textos que transmitam uma verdade humana, textos que provoquem nossas emoções e nossa curiosidade.

Nesta segunda postagem, trataremos do ESCRITOR. Como vimos, a escrita é um processo de comunicação em que cada escritor é o remetente de uma mensagem, é o primeiro elemento da narrativa, é quem irá criar uma estória a ser comunicada ao mundo. E como uma estória alcança o leitor? O que desperta o interesse do leitor em conhecer essa estória? Qual a missão de um escritor?

 

Prenda o leitor logo de cara

Como visto na postagem anterior, ninguém tem tempo a perder. O leitor irá se certificar se irá dedicar seu tempo lendo uma estória por meio da primeira impressão. Começando pelo título. O escritor pode instigar o leitor por meio de um título que irá atrair a curiosidade pelo conteúdo a ser revelado. O título é uma isca pronta para ser fisgada, é um convite para a aventura que irá se seguir. E assim como o titulo da estória, assim deve ser o primeiro parágrafo, a primeira frase, as primeiras palavras. Elas devem causar aquele tipo de impacto que irá assegurar ao leitor de que o que virá pela frente será arrebatador. Prenda o leitor logo de cara. Inicie sua estória com uma frase impactante, forte, significativa, envolvente e inovadora, que irá convidar o leitor a embarcar na estória imperdível que você tem para contar.

 

Ganhe o leitor por nocaute

Foi o escritor argentino Julio Cortázar que deixou a célebre frase: “Em um combate travado entre um texto apaixonante e seu leitor, o romance sempre ganha por pontos, enquanto o conto deve ganhar por nocaute”. Em narrativas curtas como contos e crônicas, não há espaço para divagações fora do tema principal. As ideias devem ser concisas e atingir o leitor em cheio, como um soco no queixo. Sua missão é deixar o leitor arrebatado com seu texto. Mantenha o foco.

 

Presenteie o leitor com uma verdade humana

O leitor merece receber como presente um vislumbre significativo de uma verdade profundamente humana. O presente será melhor ainda se o leitor conseguir se identificar na estória, e o bom escritor consegue isso ao explorar nossa natureza humana, nossos dilemas, emoções, aflições e busca por sentido na vida. Que presente você quer dar a seus leitores?

 

Presenteie o leitor com uma estória inesquecível

Ok. Se você vai contar uma estória, encontre o melhor meio de se contar essa estória. Entretenha o leitor. Imagine perder o seu tempo lendo sobre um pescador que sai para pescar e volta. O que isso vale? Bem, se estivermos falando de “O velho e o mar”, de Ernest Hemingway, vale um prêmio Nobel de Literatura. Por isso, não importa sobre qual assunto você irá falar, mas em como você irá contar a estória. Como você irá contar sua estória deve ser uma experiência inesquecível.

 

Presenteie o leitor com um personagem inesquecível

Por fim, toda narrativa descreve uma ação. Basicamente, descreve-se um personagem ou personagens executando ações. O quanto seu leitor irá se identificar com o personagem? O que ele traz de tão diferente e encantador? Você sabe quem é Peter Pan, não sabe? E Sherlock Holmes, certo? E Hamlet? Você pode não ter lido todas as suas estórias, mas sabe quem eles são. São personagens inesquecíveis da literatura universal. Presenteie o leitor com um personagem inesquecível.

 

E com essas pequenas dicas, concluo esse segundo diário de bordo.

Na próxima postagem dessa série de dicas de escrita, trataremos das características do PERSONAGEM dentro de uma estória. Gostou dessa postagem? Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.

Boas leituras, e até a próxima!


Publicado por Vitor Pereira Jr em 12/11/2017 às 14h19
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Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
25/10/2017 21h35
DICAS DE ESCRITA - Parte 1 - O QUE OS LEITORES QUEREM

Bem-vindos, caros visitantes!

 

Para vocês que gostam de dicas rápidas sobre como escrever boas narrativas, vou compartilhar aos poucos aqui no site algumas dicas preciosas que aprendi sobre a escrita de narrativas.

Vamos começar essa série com o sujeito mais importante da escrita, o LEITOR. Isso mesmo, o leitor. O leitor é o sujeito mais importante da escrita. Porque a escrita é um processo de comunicação em que cada escritor é um remetente e cada leitor é seu destinatário, é o elemento final que irá receber a estória que o escritor quer comunicar ao mundo. Escritores escrevem para serem lidos. Mas para que os leitores leem? O que os leitores querem?

Para responder a essa pergunta, basta lembrar que todos nós somos leitores. Por que lemos estórias? Por que julgamos que algumas estórias são mais cativantes que outras? Por que, apesar de gostos por estilos diferentes, sabemos apreciar uma boa narrativa? Existem elementos comuns a toda boa narrativa?

 

Lemos porque buscamos significado em nossas vidas

Convenhamos, tempo é vida, e quando escolhemos dedicar nosso tempo lendo uma estória, procuramos nela algo que traga significado para nossas vidas. A vida é repleta de significados. Qual deles seu leitor descobrirá em sua estória? Que importância sua estória terá na vida de seus leitores?

 

Lemos porque buscamos uma verdade humana

Ao mesmo tempo em que procuramos significado para nossas vidas, sabemos que não existe apenas um significado para a vida. Cada ser humano busca a sua própria verdade. E como seres gregários, temos o maior interesse em vislumbrar que verdades o ser humano pode descobrir sobre si mesmo. Qual verdade humana seu protagonista irá mostrar ao leitor?

 

Lemos porque buscamos emoções

Uma boa estória nos emociona. Lembre-se de qualquer estória que você tenha lido ou ouvido. Os detalhes mais marcantes são os detalhes que te emocionaram. Amor, raiva, medo, alegria, tristeza, pena, melancolia, obstinação, ansiedade... São as emoções que deixam marcas em nossas vidas. Como escritor, que marcas você quer deixar em seu leitor? Lembre-se de que, assim como no teatro e nos filmes, sentir emoções por meio da leitura nos proporciona um processo de catarse. Por meio de nossa capacidade de empatia, nosso corpo vivencia verdadeiramente as emoções presentes nas estórias, sejam essas estórias reais ou ficcionais. A sensação de mergulhar em uma estória, se emocionar com ela, e voltar para a vida real nos proporciona uma viagem segura que nos prepara para as emoções que sentiremos na vida real quando essas emoções vieram a nós. Esse é o segredo do sucesso atemporal dos mais populares contos infantis. João vence o gigante, Chapeuzinho sobrevive ao lobo, João e Maria escapam da bruxa. A vivência desses terrores simulados nessas estórias presenteiam as crianças a lidarem com seus próprios medos reais também. E, enquanto crescemos, as estórias apenas ficam cada vez mais elaboradas, mas sempre procuramos as mesmas emoções que irão nos auxiliar a lidar com as emoções reais de nossas vidas cotidianas. Quais emoções você reserva para seu leitor sentir em sua estória?

 

Lemos porque somos curiosos

Por fim, gostamos de ouvir boas estórias simplesmente porque somos curiosos pela vida dos outros. Somos curiosos desde o nosso nascimento. Quem nunca quis ouvir uma conversa sigilosa por trás da porta? E como vai terminar aquela briga de casal dos vizinhos do andar de cima? Assim como nas estórias de nosso dia a dia, nossos leitores leem nossas estórias com o interesse em saber como ela irá se desenrolar. Como o problema da trama será resolvido? O que acontecerá com o protagonista no final? Presenteie seu leitor com uma surpresa. Deixe-o estimulado em descobrir como tudo irá terminar. Seu personagem terá uma mudança de vida ou de valores? Ele aprenderá uma lição necessária no final, seja ela boa ou má? O que deixará seu leitor curioso em sua estória?

 

E com essas pequenas dicas de aprendizagem, concluo esse diário de bordo.

Na próxima postagem dessa série de dicas de escrita, veremos qual é a missão do ESCRITOR ao escrever uma estória. Gostou dessa postagem? Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.

Boas leituras, e até a próxima!


Publicado por Vitor Pereira Jr em 25/10/2017 às 21h35
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14/10/2017 18h41
As epifanias de um escritor

Hoje, 14 de outubro, é aniversário da contista neozelandesa Katherine Mansfield (1888-1932). Em seus curtos 34 anos de vida, seus contos marcaram a literatura modernista, sendo de grande influência para nossa Clarice Lispector.

Seus textos, influenciados pelo realismo de Anton Tchekhov, nos contam sobre o vislumbre contemplativo da vida moderna, como se sabe, de dar inveja à sua amiga Virgínia Woolf. Denominado em inglês de “glimpses”, esse vislumbre, em que o protagonista experimenta uma epifania, é a marca da escritora em quase todos os seus contos, e, com a saúde fragilizada pela tuberculose, o tema da morte e da fragilidade da vida se torna recorrente em seus últimos escritos.

Um de seus contos mais famosos, “Bliss”, traduzido ora por “Felicidade”, ora por “Êxtase”, começa assim:

 

“Embora Bertha Young tivesse trinta anos, ela ainda tinha momentos como esse, quando queria correr em vez de andar, dar passinhos de dança subindo e descendo pela calçada, rolar um aro, jogar algo no ar e pegá-lo de novo, ou ficar quieta ainda e rir de – nada – de nada, simplesmente.

O que se pode fazer se você tem trinta e, virando a esquina da sua própria rua, você é arrebatado, de repente, por um sentimento de felicidade – felicidade absoluta! – Como se de repente você tivesse engolido um pedaço brilhante desse sol da tarde e ele queimasse em seu peito, enviando uma chuvinha de faíscas em cada partícula, até as pontas dos pés?

Ó, será que não existe uma maneira de expressar isso sem passar por ‘bêbado e descontrolado?’ Como é idiota a civilização! Para que termos um corpo se você tem que mantê-lo preso em uma caixa como um raro, raro violino?”.

 

E vocês, escritores e leitores? Que trechos levam seus personagens preferidos a uma epifania?


Publicado por Vitor Pereira Jr em 14/10/2017 às 18h41
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