Vitor Pereira Jr
Contos, Crônicas e Versos
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14/10/2017 18h41
As epifanias de um escritor

Hoje, 14 de outubro, é aniversário da contista neozelandesa Katherine Mansfield (1888-1932). Em seus curtos 34 anos de vida, seus contos marcaram a literatura modernista, sendo de grande influência para nossa Clarice Lispector.

Seus textos, influenciados pelo realismo de Anton Tchekhov, nos contam sobre o vislumbre contemplativo da vida moderna, como se sabe, de dar inveja à sua amiga Virgínia Woolf. Denominado em inglês de “glimpses”, esse vislumbre, em que o protagonista experimenta uma epifania, é a marca da escritora em quase todos os seus contos, e, com a saúde fragilizada pela tuberculose, o tema da morte e da fragilidade da vida se torna recorrente em seus últimos escritos.

Um de seus contos mais famosos, “Bliss”, traduzido ora por “Felicidade”, ora por “Êxtase”, começa assim:

 

“Embora Bertha Young tivesse trinta anos, ela ainda tinha momentos como esse, quando queria correr em vez de andar, dar passinhos de dança subindo e descendo pela calçada, rolar um aro, jogar algo no ar e pegá-lo de novo, ou ficar quieta ainda e rir de – nada – de nada, simplesmente.

O que se pode fazer se você tem trinta e, virando a esquina da sua própria rua, você é arrebatado, de repente, por um sentimento de felicidade – felicidade absoluta! – Como se de repente você tivesse engolido um pedaço brilhante desse sol da tarde e ele queimasse em seu peito, enviando uma chuvinha de faíscas em cada partícula, até as pontas dos pés?

Ó, será que não existe uma maneira de expressar isso sem passar por ‘bêbado e descontrolado?’ Como é idiota a civilização! Para que termos um corpo se você tem que mantê-lo preso em uma caixa como um raro, raro violino?”.

 

E vocês, escritores e leitores? Que trechos levam seus personagens preferidos a uma epifania?


Publicado por Vitor Pereira Jr em 14/10/2017 às 18h41
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04/10/2017 22h01
A generosidade do sorriso

Sobre hoje ser comemorado o dia de São Francisco de Assis, tenho que dizer que seus ensinamentos holísticos o fazem ser de longe a figura católica que mais admiro. Mais próximo de um monge zen do que qualquer outro cristão, suas escolhas de vida nos ensinam que as coisas de maior valor no mundo estão o tempo todo bem na nossa frente, e de graça. E o que há de maior valor no mundo é nossa dedicação uns aos outros, e que por ser de graça, só pode ser dada e recebida como um presente. Parece fácil. Mas ser generoso é saber receber o melhor das pessoas e dar a elas o melhor de si.

Agora pense nas pessoas que marcaram sua vida. Certamente do que você mais vai se lembrar é do sorriso delas. Porque o sorriso é o presente mais generoso de todos, e não custa nada. Sorrisos ensinam, aconselham, encorajam, confortam, fortificam, pacificam, às vezes tudo isso ao mesmo tempo, e sem precisar dizer uma só palavra. Às vezes palavras atrapalham, e às vezes nada precisa ser dito mesmo; bastava sorrir e pronto.


Publicado por Vitor Pereira Jr em 04/10/2017 às 22h01
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26/09/2017 15h19
Paz!

     Hoje, 26 de setembro, é comemorado o aniversário de nascimento do americano Thomas Eliot, poeta, dramaturgo e Prêmio Nobel de Literatura.

     Um de seus mais famosos, profundos e complexos poemas, The Waste Land (Terra Desolada, nas traduções brasileiras mais recentes), com seus 433 versos, e publicado em 1922, é considerado hoje um dos mais importantes e influentes poemas do século XX.

     Para tempos como o nosso começo de século, deixo aqui os últimos versos de T.S. Eliot em Terra Desolada:

 

          “Sentei-me junto às águas

A pescar, tendo a árida planura atrás de mim

Chegarei pelo menos a por minhas terras em ordem ?

London Bridge is jailing down falling down falling down

Poi s’ascose nel foco che gli affina

Quando fiam uti chelidon... ó andorinha andorinha

Le Prince d‘Aquitaine d la tour abolie

Com estes fragmentos escorei minhas ruínas

Why then lie fit you. Hieronymo’s mad againe.

Datta. Dayadhvam. Damyata.

          Shantih shantih shantih”

 

     Estes dois últimos versos, em sânscrito, extraídos do Brihadaranyaka Upanishad, são traduzidos por: “Doação. Compaixão. Autocontrole. Paz! Paz! Paz!”

     Shantih, a paz interior que ultrapassa o entendimento. Bem que precisamos mesmo dela em tempos como o nosso.


Publicado por Vitor Pereira Jr em 26/09/2017 às 15h19
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09/09/2017 20h18
Um texto só de vogais

     A todos os lusófonos amantes da literatura e aos amantes de brincar com seu idioma em geral, apresento a seguir este texto, o único da língua portuguesa escrito só com vogais, e que contém ainda a maior frase da língua portuguesa escrita só com vogais. Após o texto há uma nota explicativa, pois muitas palavras não são de uso comum. Eis o texto:

— Eia, iaiá!

— Oi, ioiô! E aí?

— Iaiá, ó a aiôuea aí.

— É. Ao Aoí a aiôuea.

— Aê, iaiá, o Aoí ia a Uauá, ao Oio, a Oiã, ou a Aião?

— Ai, ai! O Aoí ia a Uauá, ô. O Aoá ia a Oiã e a Aião. Aoí é uaiuai e iaô, aí ia a Uauá, ué.

— E a Aião?

— O iaô uaiuai Aoí ia a Uauá e a Aião.

— O Aoí é iaô, é?

— É, uai. E Oiá é a aia.

— É? Uau! E o Aoá?

— Ui...! Aoá é auê.

— Ei! E eu, Iaiá?

— Uai! O ioiô é o ó!...

— Ê, iaiá...!

— Ê, ioiô...!

 

NOTAS:

 

GLOSSÁRIO:

Aiôuea: gênero de planta no Brasil

Aoí: nome bíblico (Cf. 1 Cron 11)

Uauá: município na Bahia

Oio: região na Guiné-Bissau

Oiã: região em Portugal

Aião: região em Portugal

Aoá: nome bíblico (Cf. 1 Cron 8 e 2 Samuel 23: 9)

Uaiuai: etnia indígena do Brasil

Iaô: em religiões afrobrasileiras, é o filho-de-santo já iniciado

Oiá: Orixá dos ventos e raios, também conhecida como Iansã

Aia: tutora

Auê: (gíria) confusão, bagunça

Ó: expressão popular do nordeste do Brasil, diminutiva de “Ó do Borogodó”, e expressa sentimento superlativo de uma qualidade.

 

VERSÃO COMPARATIVA:

      A princípio, o texto acima, só de vogais, pode parecer bastante estranho devido ao pouco uso e ao regionalismo de certas palavras. Mas permitam-me ainda escrever o mesmo texto, só que com palavras conhecidas. O leitor se certificará de que, após esta comparação, o apresentado texto de vogais fica perfeitamente inteligível. Eis uma versão que substitui as palavras acima usadas:

— Eia, Maria!

— Oi, João! E aí?

— Maria, olha a hortelã aí.

— É. Ao Pedro a hortelã.

— Aê, Maria, o Pedro ia a Aracaju, à Paraíba, a Terezina, ou a Belém?

— Ai, ai! O Pedro ia a Aracaju, ô. O José ia a Terezina e a Belém. Pedro é paraense e seminarista, aí ia a Terezina, ué.

— E a Belém?

— O seminarista paraense Pedro ia a Terezina e a Belém.

— O Pedro é seminarista, é?

— É, uai. E Santa Efigênia é a padroeira.

— É? Uau! E o José?

— Ui...! José é confusão.

— Ei! E eu, Maria?

— Uai! O João é o máximo da confusão!...

— Ê, Maria...!

— Ê, João...!


Publicado por Vitor Pereira Jr em 09/09/2017 às 20h18
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24/08/2017 09h30
Um texto sem as vogais A, I, O, e U

     Denner de Rezende Scherer é de Verê. Ele é gerente de redes, crê em preces de fé desde neném, veste Lee bege de nerd, serve-se de crepe, e bebe tererê. De mês em mês ele elege escrever entre três e sete teses em rés de web: é remetente de teses célebres em “www.lente.net”. Percebe-se: entre escrever e ler, Denner prefere veementemente escrever. Cem vezes escrever. É mestre em escrever, e tem sede de escrever bem. E ele mede se escreve bem, em empreender reescrever ´té dez vezes, ´té escrever bem. Ele escreve: “Lembre-se, ser mestre nem sempre é ser excelente: é entender ter deveres e meter-se de frente, sem temer nem tremer. E pense, nem sempre ele, mestre, sente receber este presente: de ler-se. Ler depende de gente de mente perene e leve. E de repente, em vez de pretender ser mestre em escrever, prefere-se preceder-se, e, sem perder esse leme, se tente ler bem. Pense brevemente, e se dê este presente decente: Ler! Ler é crescer, cerne de semente em verdes estepes.” Excelente. É sem precedentes este célebre Denner Scherer.



Publicado por Vitor Pereira Jr em 24/08/2017 às 09h30
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