Vitor Pereira Jr
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31/12/2017 16h38
DICAS DE ESCRITA - Parte 4 – A ALMA DAS NARRATIVAS

 

Sejam muito bem-vindos, caros visitantes!

Chegamos ao nosso último tema sobre pequenas Dicas de Escrita, a NARRATIVA. Nas postagens anteriores, vimos que uma boa estória prende e surpreende o leitor do início ao fim, presenteando-o com uma verdade humana significativa. Narrativa é a arte de contar estórias, e, como escritores, devemos encontrar o melhor jeito de se contar uma estória. Mas o que dá vida às estórias?

Toda narrativa precisa de uma alma e de um corpo. Nesta postagem, falaremos da alma das narrativas, a essência de toda boa estória. Preparado? Vamos lá.

 

O QUE UMA ESTÓRIA PRECISA SER

Estória é ação. E toda estória, mesmo uma estória cotidiana – como nas crônicas – deve revelar ao leitor alguma verdade humana. Portanto, até as ações mais cotidianas devem possuir um significado para serem narradas. Como seres humanos, temos muitos sentimentos para compartilhar. Sentimos medo, tristeza, ansiedade, alegria, raiva, amor. Também passamos por experiências de vida que gostaríamos de compartilhar além de gostarmos de conhecer experiências de vida de outras pessoas. Isso nos inspira e nos torna pessoas mais interessantes. Por isso, não importa se o gênero é realismo, fantasia, terror, ficção científica, infantil. Sentimentos e experiências de vida que tragam significado para o leitor deixarão sua estória mais humana, verossímil, e atraente.

Alcance o coração do leitor fazendo-o reviver as emoções que seus personagens sentiram. Para isso, escreva algo significativo, envolvente, inspirador, impactante, e, principalmente, algo que seja valioso para o leitor. Pense em seu texto como um presente. Que presente você quer deixar para ser lido? E, o principal – a ser visto a seguir –, que problemas seus personagens enfrentarão?

 

CONFLITO - A ALMA DE TODA ESTÓRIA

Seus personagens estraram em ação. Seu leitor teve acesso ao mundo deles, aos seus interesses e vivências. Mas para termos uma estória verdadeiramente significativa, que traga emoção e experiência de vida, precisamos que esses personagens sejam testados em seu íntimo, tenham seus valores questionados, sejam provados a ferro e fogo, e terminem a estória diferentes de quando os conhecemos. Para que isso aconteça, o segredo de toda mudança é o CONFLITO. O conflito nada mais é do que um evento que muda a ordem inicial apresentada e que precisa de novas ações dos personagens para ser resolvido, levando a estória a uma nova ordem.

O esquema ORDEM-DESORDENAÇÃO-REORDENAÇÃO é o esquema básico do conflito. O protagonista luta por um objetivo, enfrenta desafios inesperados, passa por um momento crítico, luta para superar o momento crítico, chega ao clímax de sua provação quando o desafio final é resolvido de alguma forma, e descansa da jornada voltando ao mundo como uma pessoa transformada.

O causador mais comum de um conflito é o antagonista. O Lobo Mau para Chapeuzinho, o Capitão Gancho para Peter Pan, Voldemort para Harry Potter, Cláudio para Hamlet. Mas há vezes em que o portador do conflito é uma ameaça impessoal, como uma doença ou uma catástrofe natural. E há vezes em que o conflito está no próprio personagem. O conflito mais debatido na literatura brasileira é o conflito interno de Bentinho, em Dom Casmurro. O conflito de Bentinho está na firme crença pessoal de que Capitu o traiu e não no fato em si.

Por isso, o conflito é a receita que levará a estória da ordem à desordem, resultando em uma luta, que levará por fim a uma nova ordem das coisas. E você? Que conflitos reserva para testar seus personagens até as últimas consequências, e como ele se sairão?

 

OS TRÊS ATOS

Agora que vimos as três etapas do processo de conflito, ORDEM-DESORDENAÇÃO-REORDENAÇÃO, veremos que cada uma dessas etapas tem seu momento específico para surgir na estória. Desde os tempos mais antigos, narrar passa por uma sequência básica: INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO, e CONCLUSÃO. Essa estrutura bem simples de começo/meio/fim é tão básica, mas ao mesmo tempo tão funcional, que é exigência até hoje na redação de trabalhos acadêmicos e científicos, por exemplo, mas também é trivial nos três atos do teatro e no cinema.

No primeiro ato de uma estória, a INTRODUÇÃO, conhecemos uma situação de ORDEM em que os personagens se encontram. Mas, agora que conhecemos os personagens e como eles estão ordenados, algo precisa acontecer a eles. A ordem estabelecida inicialmente precisa ser alterada. É aqui que começa o segundo ato, com a entrada do evento causador da DESORDEM, seja uma ameaça, uma intriga, uma guerra, uma traição, um crime, uma perda etc. O confronto da ordem com a desordem gera o tão esperado conflito, que, como visto, é a alma de toda estória. É aqui que se dá o DESENVOLVIMENTO da estória, é onde o escritor precisará construir a tensão, tecer as intrigas, pavimentar os perigos que os personagens irão enfrentar, atiçando, assim, a curiosidade do leitor pelo próximo passo.

Depois que o conflito é apresentado e desenvolvido, ele agora precisa ser resolvido de alguma forma. A luta entre a ordem e a desordem não dura para sempre, e todos estão ansiosos para ver o desfecho desta luta, como tudo irá terminar. É aqui que começa o terceiro ato, com a CONCLUSÃO desse conflito. Chegamos ao clímax da estória, o momento mais decisivo. A luta da ordem inicial estabelecida no começo da estória contra a desordem resulta finalmente em uma REORDENAÇÃO das coisas, não necessariamente favorável para o protagonista. O escritor deve concluir sua estória com uma solução reveladora, mas também satisfatória, para a trama.

No entanto, o escritor pode optar por manter a tensão no leitor após a estória terminar. Essa escolha é usada mais em contos de suspense e terror, em que o mal ou o perigo não é completamente derrotado e é deixado para a imaginação do leitor completar o que acontecerá após a estória ter chegado ao fim. O protagonista sobreviverá da próxima vez?

 

MANTENDO A TENSÃO

Escritores conseguem nos presentear com estórias fascinantes seguindo a receita trivial das narrativas. Mas que elementos os escritores se utilizam para apimentar essa receita? Para manter a tensão no leitor, surpreenda-o com eventos imprevistos. Você pode rechear a estória com várias reviravoltas – mais comuns em estórias de suspense, policial, e terror. Você também pode reservar um mistério, um perigo ou um segredo a ser resolvido ou revelado. Inserir uma intriga, seja amorosa ou não, também é um tempero conhecido. Um toque especial é deixar a estória em aberto. A trama principal foi resolvida, mas o que acontece depois? A estória termina para o leitor, mas como ela continua para os personagens? A tensão fica no ar. Tchecov era muito bom em usar esse recurso em seus contos.

 

E com essas pequenas dicas de aprendizagem, concluo esse quarto diário de bordo. No próximo e último post, concluiremos o tema da NARRATIVA tratando das formas que podemos dar ao corpo da estória. Que forma possuem as aberturas da estória? Como ela se desenvolve? Que pontos merecem mais atenção do escritor? Veremos isso na próxima postagem!

 

Obrigado pelas visitas.

Gostou das dicas? Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.

Boas leituras, e até a próxima postagem!

 


Publicado por Vitor Pereira Jr em 31/12/2017 às 16h38
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