Vitor Pereira Jr
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28/01/2018 22h28
DICAS DE ESCRITA - Parte 5 – UM CORPO PARA SUAS ESTÓRIAS

Sejam muito bem-vindos, caros visitantes!
Chegamos ao nosso último post sobre pequenas Dicas de Escrita, completando o tema NARRATIVA. Toda narrativa tem uma alma e um corpo. Nesta postagem, falaremos do corpo das narrativas. O corpo da narrativa é o que dará forma à alma, é como a estória se apresenta ao leitor, é como a narrativa irá andar e chegar aonde ela deve chegar.

Vimos sobre a alma das narrativas no post anterior. A alma é a essência da narrativa, é o que dá vida à estória. Mas qual o melhor jeito de se contar uma estória? Existe um modelo a ser seguido? Que ferramentas podemos utilizar para lapidar e enriquecer uma estória? É o que veremos a seguir.

O CORPO
A palavra que resume o corpo de uma narrativa é: simplicidade. Narrativas não precisam de palavras rebuscadas. Use palavras simples. Economize nas palavras, aliás. Mantenha o essencial para a estória e corte as descrições desnecessárias. Opte também em não usar parágrafos longos. Orquestre o comprimento de frases e parágrafos como o ritmo da sinfonia que você quer que a estória tenha.

AGORA ABREM-SE AS CORTINAS
Você vai começar sua estória. O leitor está à espera. Abrem-se as cortinas. Como você vai iniciar sua estória é essencial para que o leitor saiba para onde estará sendo levado e se a viagem será atraente.
A sequência básica de abertura de narrativa é geralmente apresentada nessa ordem: “QUANDO, ONDE, QUEM fez o QUE”, ou seja, “Uma vez, em um tal lugar, alguém fez alguma coisa”. Um exemplo de abertura: “Ontem, na praça, um homem foi morto”. Os contos infantis são conhecidos por começarem com o QUANDO: “Era uma vez...”. A saga Star Wars começa com QUANDO e ONDE: “Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante...”. A frase de abertura de O Hobbit segue a estrutura de ONDE, QUEM fazia o QUE: “Numa toca no chão vivia um hobbit”. Kafka vai direto ao ponto em A Metamorfose, em que inicia com QUANDO, QUEM, ONDE, fez o QUE: “Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama metamorfoseado em um inseto gigante”. Até o livro religioso mais influente no mundo, a Bíblia, começa com QUANDO, QUEM fez o QUE: “No princípio, criou Deus o céu e a terra”. E, por fim, a abertura de Cem Anos de Solidão é um completo QUANDO, ONDE, QUEM fez o QUE: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”.
E você? Que frases de abertura usará?

ANUNCIANDO O ESPETÁCULO
A estrutura básica de abertura de uma estória pode ser precedida, no entanto, com uma surpreendente e impactante frase informativa inicial, despertando o leitor para a curiosidade e presenteando-o com a primeira impressão sobre a trama a seguir. A primeira frase de Moby Dick, “Me chamem de Ismael”, que nos dá uma intimidade imediata com o narrador, é ainda mais econômica no original, com apenas incríveis três palavras curtas: “Call me Ismael”, e é uma das mais memoráveis frases de abertura da literatura universal.  O mesmo faz J.M. Barrie, na primeira frase de Peter Pan e Wendy, em que resume o conflito da estória e ainda o personagem que há de vir nessas poucas palavras: “Todas as crianças crescem – menos uma”.  A primeira frase de Anna Karenina é hilária e nos indica que leremos sobre conflitos familiares: “Todas as famílias felizes são parecidas, mas as famílias infelizes são infelizes à sua maneira”. William Gibson nos presenteia com a visão de uma atmosfera perfeita para o Neuromancer, quando inicia: “O céu sobre o porto tinha a cor de televisão sintonizada num canal fora do ar”. E, por fim, J. D. Salinger, nos presenteia com uma irreverente negação ao básico “QUANDO, ONDE, QUEM fez o QUE” com um “Se querem um ONDE, QUEM fazia o QUE, QUANDO, não direi”, avisando ao leitor que o narrador segue suas próprias regras, com a frase inicial: “Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que os meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com vontade de falar sobre isso”.
Como você pretende abrir ao público seu espetáculo?

TECENDO OS FIOS DA TRAMA
O escritor é como um tecelão, trabalhando cada fio da trama de sua estória que será entregue ao leitor. Vimos que tecer a trama da estória segue geralmente essa ordem: “QUEM fez o QUE, QUANDO, ONDE e PORQUE”. Nosso personagem é o QUEM, o sujeito que age na estória realizando feitos, que são o QUE. Ele age em algum momento do tempo, o QUANDO. Ele age em um determinado ambiente, o ONDE. E, o principal, nosso personagem age por alguma motivação, é o seu PORQUE. 
É o PORQUE, as motivações de seu personagem, que levarão a narrativa adiante.
Mesmo em estórias em que a narrativa não segue esta ordem, essa estrutura está basicamente lá. Você pode inovar começando sua estória pelo final e ir regredindo até o começo de tudo. Você pode deixar a real motivação do personagem para após o clímax, aumentando a tensão da trama. Você pode reservar a época ou o lugar em que se passa a trama como um mistério a ser descoberto pelo leitor no decorrer da estória, mas em toda narrativa, alguém faz algo, e por algum motivo, sempre. Por isso, QUEM faz o QUE, QUANDO, ONDE e PORQUE.
Quais os PORQUÊS de seu personagem?

ZIG ZIG ZAG
Desde os tempos antigos, narrativas costumam usar a estrutura ZIG ZIG ZAG para surpreender o leitor e mantê-lo energizado. Essa estrutura nada mais é do que conduzir o leitor por um primeiro caminho (ZIG), então aprofundá-lo na mesma trilha (ZIG), para então, ZAG, surpreender o leitor com uma troca de caminho inesperada. Seu ZAG pode ser uma reviravolta, e não há limites para quantas reviravoltas você estrategicamente usará em sua estória. Que fato imprevisto e inesperado você usará para quebrar a narrativa e manter o leitor ligado?

CAI O PANO
A conclusão de uma narrativa de longe significa o fim da estória. Desde crianças, ficamos a imaginar como seria a vida de casada de Cinderela, nos perguntamos se Chapeuzinho Vermelho aprendeu a lição. Com os livros de nossa juventude e com os livros de tons mais sérios, o fechamento da cortina tem o mesmo tom. A vida continua para os personagens após o desfecho, e o leitor merece imaginar o que aconteceria depois. Esse é um ótimo encerramento para sua narrativa. Manter o leitor no clima. Se é para despertar tristeza ou indignação, que o leitor consiga se emocionar após a narrativa acabar. Se é para despertar tensão, mantenha o suspense após seu ponto final. 
Sempre termine deixando o leitor querendo mais.

 
E com essas pequenas dicas de aprendizagem, concluo esse último diário de bordo sobre Dicas de escrita. Espero que tenham, gostado. Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.
Boas leituras, e até a próxima!


Publicado por Vitor Pereira Jr em 28/01/2018 às 22h28
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