Vitor Pereira Jr
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02/03/2018 20h28
"O Resgate de Althea", de Elaine Samuel

Vamos conhecer nossos autores nacionais!

"O Resgate de Althea", de Elaine Samuel

https://www.facebook.com/elaine.p.samuel?hc_location=ufi

Sinopse: Muitas vezes, a conclusão de uma história é o seu fim, mas outras tantas vezes, é apenas o começo…​

Daniel achava que as aventuras que ele e seus amigos haviam vivido na Mata do Anatema eram apenas lembranças envolvendo um grande segredo, mas logo um sonho recorrente surgiu para lhe tirar o sono!​

Um pedido de ajuda, um chamado que não podia deixar de ser ouvido.​

O Resgate de Althea, o segundo livro da série "As Quatro Portas do Tesouro",​ leva nossos amigos a Alius, um mundo habitado por criaturas diferentes e governado por Átira, uma chefe de Estado muito além de perigosa.

Incumbidos de encontrar Althea, Daniel, Júlio e Marcelo são capturados e levados ao palácio, onde ficam sabendo que Althea é a Conselheira de Átira e foi sequestrada por um grupo de rebeldes.​

Átira promete poupar suas vidas, mas em troca, quer que os três libertem sua conselheira e a tragam de volta.

Para resgatar a Conselheira, os três terão que enfrentar monstros e criaturas apavorantes, além de vencer suas próprias limitações, usando conhecimento e criatividade como armas poderosas.

Mas raramente as coisas são tão simples como parecem e nem sempre tudo acontece como planejado. Nossos amigos se veem obrigados a mudar seus planos e enfrentar um inimigo muito mais perigoso do que haviam imaginado.

Uma aventura bem-humorada, cheia de surpresas e reviravoltas, onde nem sempre as coisas são exatamente o que parecem…

Prezados Leitores, escritores e o público artista em geral,
Vamos compartilhar, comentar e curtir a obra da nossa amiga escritora.

Marca aquele seu amigo que iria gostar de ler esse livro.

Interessados em comprar o livro, falar com a autora.


Publicado por Vitor Pereira Jr em 02/03/2018 às 20h28
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
16/02/2018 18h44
ROSEBUD - Resenha crítica sobre o filme “Cidadão Kane”, de Orson Welles


         A presente resenha visa comentar sobre o filme “Cidadão Kane”, de 1941, baseado na obra de Orson Welles, que conta a história de vida do jornalista fictício Charles Foster Kane, papel interpretado pelo próprio Orson Welles. Como observação, esta resenha contém um resumo do filme e descreve o seu final.

         O filme tem início com a morte do milionário jornalista Charles Kane, que em seu leito de morte pronuncia sua última palavra antes de expirar: “Rosebud”. 
         Um grupo de jornalistas inicia, assim, uma investigação sobre a vida pessoal de Kane a fim de descobrir o significado da palavra. São os relatos dos velhos conhecidos da vida de Kane que levam o espectador a conhecer a história do empresário. O espectador tem conhecimento da vida de Kane através dos fragmentos de momentos de sua história, desde sua infância, quando morava com sua mãe em um humilde pensionato no interior, até seus últimos momentos em sua luxuosa e opulenta mansão.
         É relatado que a mudança na vida pacata de Foster Kane ocorre subitamente, quando sua mãe recebe como pagamento de um pensionista as escrituras de uma mina supostamente sem valor. Mas o fato era que a mina estava cheia de ouro e isso rende à família uma fortuna incalculável. Kane, então, é tirado do convívio de seus pais e levado para ser educado por um grupo de empresários, que o moldam para a vida pública dos magnatas do poder. Cedo Kane compra um modesto jornal e passa a se tornar um jornalista implacável e impetuoso. Sua vida se torna recheada de jogos de interesse, luxo e fama. Em sua velhice, Kane manda construir para si uma enorme e esplendorosa mansão, batizada de Xanadu, em homenagem à mítica cidade asiática, conhecida por seus poetas como a capital do prazer. É lá que, isolado de tudo e de todos, morre, deixando para os personagens do filme o enigma de sua última palavra.
         O filme termina e ninguém revela o mistério de “Rosebud”. Somente ao espectador é revelado o significado da palavra, aos últimos segundos do filme, o que o leva à reflexão não durante, mas após o término do filme. A crítica tomou esta obra de Welles não só como um marco na história do cinema, quanto ao roteiro, filmagem e cenário, como a considerou mais tarde como o melhor filme da história do cinema de todos os tempos. Pretendo ponderar sobre alguns dos elementos que fazem deste filme realmente uma obra-prima do cinema.

         A trama em “Cidadão Kane” tem início com uma palavra: “Rosebud”. A mídia especula que tal palavra deva ter um sentido muito importante na vida do magnata, por ser justamente sua última palavra. A pergunta é: O que passara pela mente de um homem como Foster Kane, que teve tudo em sua vida, para pronunciar uma única palavra, tão misteriosa, em seu leito de morte? A palavra é intrigante porque nenhum dos seus amigos íntimos ouviu em toda sua vida a menção desta palavra, e não fazem a menor idéia do que isto possa significar. Toda a vida de Kane é passada diante dos olhos do espectador e com isso, em toda sua vida pública, repleta de escândalos e luxo, em nenhum momento é demonstrado claramente o que a palavra “Rosebud” poderia significar, embora, para quem já tenha assistido ao filme, o vínculo com a palavra pareça mais claro.
         Quase no fim do filme, o mordomo de Kane revela ao repórter investigativo que já ouvira uma vez Kane pronunciar a palavra, e o fora após um acesso de raiva, onde se depara com seu antigo peso de papel – que consiste em um globo de vidro com uma maquete de uma casa dentro, coberta de uma imitação de neve, e que conforme o globo é movido é promovido um efeito de neve dentro dele. O velho magnata o sustenta na mão e pronuncia: “Rosebud”. Em seu leito de morte, Kane está segurando novamente o globo, pronuncia sua misteriosa palavra, e suspira, deixando cair o globo, que termina por se quebrar no chão.
         Mesmo este último relato não revela coisa alguma ao repórter investigativo. E ninguém resolve o último mistério de Kane. Porém, nas últimas cenas, quando todos os objetos sem valor do magnata estão sendo incinerados, ao espectador é permitido conhecer o significado da palavra. Em meio aos pertences está um trenó, o mesmo modelo de trenó com o qual a criança Charles F. Kane estava brincando na neve, diante da pensão de sua mãe e é interrompido pelo empresário que o retira de sua família. A marca do trenó: “Rosebud”. Um operário pega o trenó e joga-o no incinerador. O trenó queima, é a última cena do filme.
        
          Semanticamente, “Rosebud” se traduz do inglês por “Botão de Rosa”, e é uma referência poética clara ao órgão genital feminino do prazer: o clitóris. A anatomia da genitália feminina é freqüentemente associada à forma de um botão de rosa pelos poetas. Assim, “Rosebud” simboliza aquilo que há de mais íntimo, de mais misterioso, mais escondido, mais particular, mais encoberto. Neste sentido, o autor Orson Welles reservou a palavra “Rosebud” para associar poeticamente àquilo que o personagem possuía de mais íntimo, de mais particular. “Rosebud” era o seu lugarzinho especial de prazer, onde só ele podia tocar, era seu refúgio particular onde ninguém, em toda sua vida conturbada, tinha acesso.
         Outra curiosidade é o fato de o sentimento de fuga ao seu lugar especial, seu “Rosebud”, que, como vimos, é uma referência romântica ao órgão sexual feminino do prazer, só tenha sido pronunciada dentro de Xanadu, simbolicamente a capital do prazer.
         Ainda sobre a referência ao clitóris, vale lembrar que o filme fora produzido em 1941, época em que o corpo feminino ainda era um mistério sexual dentro do universo masculino. O próprio Freud, que viveu até o início do século XX, e que tanto atribuiu a questão sexual como influente na vida particular das pessoas, ele mesmo acreditava que a mulher só possuía o prazer vaginal, ignorando por completo a função do clitóris. Portanto, quando Welles coloca a analogia “Rosebud” elegantemente em uma tela de cinema, em 1941, só por isso já é possível ter uma idéia da grandeza literária de sua obra.
         Por fim, vemos que “Rosebud” é imediata e simplesmente a marca do trenó de sua infância. Ou seja, o seu lugar íntimo especial é o último momento de sua vida em que o personagem é ingênuo. Lá, na neve, sendo retirado de sua família, não só sua brincadeira é interrompida, como também sua vida, sua infância. É lá onde tudo começa a se perder. O trenó é enterrado ali, e sua vida também. E então percebemos que ao homem que tudo teve, na verdade, tudo se perdeu. Kane, em sua vida, só perdeu, sua vida toda é uma perda, apesar de toda sua opulência. Sua vida é um absurdo, uma ironia. E a cena da neve nos mostra que o que Kane mais perdeu foi o rumo de sua vida, aquele é o ponto chave onde tudo começa a ser perdido. Os próprios personagens da trama indicam isto durante o filme: “Rosebud” foi aquilo que Kane mais perdeu. O próprio personagem admite em um outro momento revelador que, sem o dinheiro, ele seria uma pessoa melhor. E é através dessas declarações, e da manutenção pelo personagem do seu estimado peso de papel durante o filme, que vamos percebendo que “Rosebud” acompanha a mente de Kane em toda sua vida, até o fim. Em toda sua vida recheada de luxo, Kane é vazio, incompleto, porque ele perdeu sua vida. Ele lota sua vida material de coleções nostálgicas, sua mansão é um museu de seus desejos não realizados porque ele é vazio, e no fim tudo se perde.
         A cena final é, na verdade, a cena principal do filme. Kane está morto, extinto, e seus objetos particulares também. Quando o espectador assiste, impotente, à queima do trenó, onde está a chave de todo o mistério ao redor do qual a trama gira, percebe que não só ninguém descobrirá jamais o significado da última polêmica do magnata como também que seu “Rosebud” é extinto junto com o personagem. A vida de Kane finalmente se foi por completo, e o trenó também. Tudo acabou, e o que realmente importava para o rico jornalista se extingue com ele para o esquecimento, para o nada.
         Em “Cidadão Kane”, deste modo, Welles faz com que o espectador seja o grande privilegiado, porque só este descobre o verdadeiro sentido da vida de Kane, enquanto ninguém na trama jamais descobrirá. Isso também significa que é preciso estar fora da história para compreendê-la por completo. A vida só ganha sentido após a morte, mas não para os participantes da história, mas para o espectador, que é também o único a ser totalmente excluído da trama, e é por isso que ele está privilegiado. Aliás, quando o espectador assiste ao filme pela primeira vez ele ainda está participando da trama, em seu papel de espectador. Porém, o mistério só é revelado no final, quando a trama acaba, e o espectador só ganha o conhecimento quando o filme também já está consumado, junto com o personagem e seu segredo. Desse modo, o próprio filme, assim como o sentido da vida, só é revelado e só pode ser compreendido e refletido quando se está consumado.
 


Publicado por Vitor Pereira Jr em 16/02/2018 às 18h44
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28/01/2018 22h28
DICAS DE ESCRITA - Parte 5 – UM CORPO PARA SUAS ESTÓRIAS

Sejam muito bem-vindos, caros visitantes!
Chegamos ao nosso último post sobre pequenas Dicas de Escrita, completando o tema NARRATIVA. Toda narrativa tem uma alma e um corpo. Nesta postagem, falaremos do corpo das narrativas. O corpo da narrativa é o que dará forma à alma, é como a estória se apresenta ao leitor, é como a narrativa irá andar e chegar aonde ela deve chegar.

Vimos sobre a alma das narrativas no post anterior. A alma é a essência da narrativa, é o que dá vida à estória. Mas qual o melhor jeito de se contar uma estória? Existe um modelo a ser seguido? Que ferramentas podemos utilizar para lapidar e enriquecer uma estória? É o que veremos a seguir.

O CORPO
A palavra que resume o corpo de uma narrativa é: simplicidade. Narrativas não precisam de palavras rebuscadas. Use palavras simples. Economize nas palavras, aliás. Mantenha o essencial para a estória e corte as descrições desnecessárias. Opte também em não usar parágrafos longos. Orquestre o comprimento de frases e parágrafos como o ritmo da sinfonia que você quer que a estória tenha.

AGORA ABREM-SE AS CORTINAS
Você vai começar sua estória. O leitor está à espera. Abrem-se as cortinas. Como você vai iniciar sua estória é essencial para que o leitor saiba para onde estará sendo levado e se a viagem será atraente.
A sequência básica de abertura de narrativa é geralmente apresentada nessa ordem: “QUANDO, ONDE, QUEM fez o QUE”, ou seja, “Uma vez, em um tal lugar, alguém fez alguma coisa”. Um exemplo de abertura: “Ontem, na praça, um homem foi morto”. Os contos infantis são conhecidos por começarem com o QUANDO: “Era uma vez...”. A saga Star Wars começa com QUANDO e ONDE: “Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante...”. A frase de abertura de O Hobbit segue a estrutura de ONDE, QUEM fazia o QUE: “Numa toca no chão vivia um hobbit”. Kafka vai direto ao ponto em A Metamorfose, em que inicia com QUANDO, QUEM, ONDE, fez o QUE: “Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama metamorfoseado em um inseto gigante”. Até o livro religioso mais influente no mundo, a Bíblia, começa com QUANDO, QUEM fez o QUE: “No princípio, criou Deus o céu e a terra”. E, por fim, a abertura de Cem Anos de Solidão é um completo QUANDO, ONDE, QUEM fez o QUE: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”.
E você? Que frases de abertura usará?

ANUNCIANDO O ESPETÁCULO
A estrutura básica de abertura de uma estória pode ser precedida, no entanto, com uma surpreendente e impactante frase informativa inicial, despertando o leitor para a curiosidade e presenteando-o com a primeira impressão sobre a trama a seguir. A primeira frase de Moby Dick, “Me chamem de Ismael”, que nos dá uma intimidade imediata com o narrador, é ainda mais econômica no original, com apenas incríveis três palavras curtas: “Call me Ismael”, e é uma das mais memoráveis frases de abertura da literatura universal.  O mesmo faz J.M. Barrie, na primeira frase de Peter Pan e Wendy, em que resume o conflito da estória e ainda o personagem que há de vir nessas poucas palavras: “Todas as crianças crescem – menos uma”.  A primeira frase de Anna Karenina é hilária e nos indica que leremos sobre conflitos familiares: “Todas as famílias felizes são parecidas, mas as famílias infelizes são infelizes à sua maneira”. William Gibson nos presenteia com a visão de uma atmosfera perfeita para o Neuromancer, quando inicia: “O céu sobre o porto tinha a cor de televisão sintonizada num canal fora do ar”. E, por fim, J. D. Salinger, nos presenteia com uma irreverente negação ao básico “QUANDO, ONDE, QUEM fez o QUE” com um “Se querem um ONDE, QUEM fazia o QUE, QUANDO, não direi”, avisando ao leitor que o narrador segue suas próprias regras, com a frase inicial: “Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que os meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com vontade de falar sobre isso”.
Como você pretende abrir ao público seu espetáculo?

TECENDO OS FIOS DA TRAMA
O escritor é como um tecelão, trabalhando cada fio da trama de sua estória que será entregue ao leitor. Vimos que tecer a trama da estória segue geralmente essa ordem: “QUEM fez o QUE, QUANDO, ONDE e PORQUE”. Nosso personagem é o QUEM, o sujeito que age na estória realizando feitos, que são o QUE. Ele age em algum momento do tempo, o QUANDO. Ele age em um determinado ambiente, o ONDE. E, o principal, nosso personagem age por alguma motivação, é o seu PORQUE. 
É o PORQUE, as motivações de seu personagem, que levarão a narrativa adiante.
Mesmo em estórias em que a narrativa não segue esta ordem, essa estrutura está basicamente lá. Você pode inovar começando sua estória pelo final e ir regredindo até o começo de tudo. Você pode deixar a real motivação do personagem para após o clímax, aumentando a tensão da trama. Você pode reservar a época ou o lugar em que se passa a trama como um mistério a ser descoberto pelo leitor no decorrer da estória, mas em toda narrativa, alguém faz algo, e por algum motivo, sempre. Por isso, QUEM faz o QUE, QUANDO, ONDE e PORQUE.
Quais os PORQUÊS de seu personagem?

ZIG ZIG ZAG
Desde os tempos antigos, narrativas costumam usar a estrutura ZIG ZIG ZAG para surpreender o leitor e mantê-lo energizado. Essa estrutura nada mais é do que conduzir o leitor por um primeiro caminho (ZIG), então aprofundá-lo na mesma trilha (ZIG), para então, ZAG, surpreender o leitor com uma troca de caminho inesperada. Seu ZAG pode ser uma reviravolta, e não há limites para quantas reviravoltas você estrategicamente usará em sua estória. Que fato imprevisto e inesperado você usará para quebrar a narrativa e manter o leitor ligado?

CAI O PANO
A conclusão de uma narrativa de longe significa o fim da estória. Desde crianças, ficamos a imaginar como seria a vida de casada de Cinderela, nos perguntamos se Chapeuzinho Vermelho aprendeu a lição. Com os livros de nossa juventude e com os livros de tons mais sérios, o fechamento da cortina tem o mesmo tom. A vida continua para os personagens após o desfecho, e o leitor merece imaginar o que aconteceria depois. Esse é um ótimo encerramento para sua narrativa. Manter o leitor no clima. Se é para despertar tristeza ou indignação, que o leitor consiga se emocionar após a narrativa acabar. Se é para despertar tensão, mantenha o suspense após seu ponto final. 
Sempre termine deixando o leitor querendo mais.

 
E com essas pequenas dicas de aprendizagem, concluo esse último diário de bordo sobre Dicas de escrita. Espero que tenham, gostado. Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.
Boas leituras, e até a próxima!


Publicado por Vitor Pereira Jr em 28/01/2018 às 22h28
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31/12/2017 16h38
DICAS DE ESCRITA - Parte 4 – A ALMA DAS NARRATIVAS

 

Sejam muito bem-vindos, caros visitantes!

Chegamos ao nosso último tema sobre pequenas Dicas de Escrita, a NARRATIVA. Nas postagens anteriores, vimos que uma boa estória prende e surpreende o leitor do início ao fim, presenteando-o com uma verdade humana significativa. Narrativa é a arte de contar estórias, e, como escritores, devemos encontrar o melhor jeito de se contar uma estória. Mas o que dá vida às estórias?

Toda narrativa precisa de uma alma e de um corpo. Nesta postagem, falaremos da alma das narrativas, a essência de toda boa estória. Preparado? Vamos lá.

 

O QUE UMA ESTÓRIA PRECISA SER

Estória é ação. E toda estória, mesmo uma estória cotidiana – como nas crônicas – deve revelar ao leitor alguma verdade humana. Portanto, até as ações mais cotidianas devem possuir um significado para serem narradas. Como seres humanos, temos muitos sentimentos para compartilhar. Sentimos medo, tristeza, ansiedade, alegria, raiva, amor. Também passamos por experiências de vida que gostaríamos de compartilhar além de gostarmos de conhecer experiências de vida de outras pessoas. Isso nos inspira e nos torna pessoas mais interessantes. Por isso, não importa se o gênero é realismo, fantasia, terror, ficção científica, infantil. Sentimentos e experiências de vida que tragam significado para o leitor deixarão sua estória mais humana, verossímil, e atraente.

Alcance o coração do leitor fazendo-o reviver as emoções que seus personagens sentiram. Para isso, escreva algo significativo, envolvente, inspirador, impactante, e, principalmente, algo que seja valioso para o leitor. Pense em seu texto como um presente. Que presente você quer deixar para ser lido? E, o principal – a ser visto a seguir –, que problemas seus personagens enfrentarão?

 

CONFLITO - A ALMA DE TODA ESTÓRIA

Seus personagens estraram em ação. Seu leitor teve acesso ao mundo deles, aos seus interesses e vivências. Mas para termos uma estória verdadeiramente significativa, que traga emoção e experiência de vida, precisamos que esses personagens sejam testados em seu íntimo, tenham seus valores questionados, sejam provados a ferro e fogo, e terminem a estória diferentes de quando os conhecemos. Para que isso aconteça, o segredo de toda mudança é o CONFLITO. O conflito nada mais é do que um evento que muda a ordem inicial apresentada e que precisa de novas ações dos personagens para ser resolvido, levando a estória a uma nova ordem.

O esquema ORDEM-DESORDENAÇÃO-REORDENAÇÃO é o esquema básico do conflito. O protagonista luta por um objetivo, enfrenta desafios inesperados, passa por um momento crítico, luta para superar o momento crítico, chega ao clímax de sua provação quando o desafio final é resolvido de alguma forma, e descansa da jornada voltando ao mundo como uma pessoa transformada.

O causador mais comum de um conflito é o antagonista. O Lobo Mau para Chapeuzinho, o Capitão Gancho para Peter Pan, Voldemort para Harry Potter, Cláudio para Hamlet. Mas há vezes em que o portador do conflito é uma ameaça impessoal, como uma doença ou uma catástrofe natural. E há vezes em que o conflito está no próprio personagem. O conflito mais debatido na literatura brasileira é o conflito interno de Bentinho, em Dom Casmurro. O conflito de Bentinho está na firme crença pessoal de que Capitu o traiu e não no fato em si.

Por isso, o conflito é a receita que levará a estória da ordem à desordem, resultando em uma luta, que levará por fim a uma nova ordem das coisas. E você? Que conflitos reserva para testar seus personagens até as últimas consequências, e como ele se sairão?

 

OS TRÊS ATOS

Agora que vimos as três etapas do processo de conflito, ORDEM-DESORDENAÇÃO-REORDENAÇÃO, veremos que cada uma dessas etapas tem seu momento específico para surgir na estória. Desde os tempos mais antigos, narrar passa por uma sequência básica: INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO, e CONCLUSÃO. Essa estrutura bem simples de começo/meio/fim é tão básica, mas ao mesmo tempo tão funcional, que é exigência até hoje na redação de trabalhos acadêmicos e científicos, por exemplo, mas também é trivial nos três atos do teatro e no cinema.

No primeiro ato de uma estória, a INTRODUÇÃO, conhecemos uma situação de ORDEM em que os personagens se encontram. Mas, agora que conhecemos os personagens e como eles estão ordenados, algo precisa acontecer a eles. A ordem estabelecida inicialmente precisa ser alterada. É aqui que começa o segundo ato, com a entrada do evento causador da DESORDEM, seja uma ameaça, uma intriga, uma guerra, uma traição, um crime, uma perda etc. O confronto da ordem com a desordem gera o tão esperado conflito, que, como visto, é a alma de toda estória. É aqui que se dá o DESENVOLVIMENTO da estória, é onde o escritor precisará construir a tensão, tecer as intrigas, pavimentar os perigos que os personagens irão enfrentar, atiçando, assim, a curiosidade do leitor pelo próximo passo.

Depois que o conflito é apresentado e desenvolvido, ele agora precisa ser resolvido de alguma forma. A luta entre a ordem e a desordem não dura para sempre, e todos estão ansiosos para ver o desfecho desta luta, como tudo irá terminar. É aqui que começa o terceiro ato, com a CONCLUSÃO desse conflito. Chegamos ao clímax da estória, o momento mais decisivo. A luta da ordem inicial estabelecida no começo da estória contra a desordem resulta finalmente em uma REORDENAÇÃO das coisas, não necessariamente favorável para o protagonista. O escritor deve concluir sua estória com uma solução reveladora, mas também satisfatória, para a trama.

No entanto, o escritor pode optar por manter a tensão no leitor após a estória terminar. Essa escolha é usada mais em contos de suspense e terror, em que o mal ou o perigo não é completamente derrotado e é deixado para a imaginação do leitor completar o que acontecerá após a estória ter chegado ao fim. O protagonista sobreviverá da próxima vez?

 

MANTENDO A TENSÃO

Escritores conseguem nos presentear com estórias fascinantes seguindo a receita trivial das narrativas. Mas que elementos os escritores se utilizam para apimentar essa receita? Para manter a tensão no leitor, surpreenda-o com eventos imprevistos. Você pode rechear a estória com várias reviravoltas – mais comuns em estórias de suspense, policial, e terror. Você também pode reservar um mistério, um perigo ou um segredo a ser resolvido ou revelado. Inserir uma intriga, seja amorosa ou não, também é um tempero conhecido. Um toque especial é deixar a estória em aberto. A trama principal foi resolvida, mas o que acontece depois? A estória termina para o leitor, mas como ela continua para os personagens? A tensão fica no ar. Tchecov era muito bom em usar esse recurso em seus contos.

 

E com essas pequenas dicas de aprendizagem, concluo esse quarto diário de bordo. No próximo e último post, concluiremos o tema da NARRATIVA tratando das formas que podemos dar ao corpo da estória. Que forma possuem as aberturas da estória? Como ela se desenvolve? Que pontos merecem mais atenção do escritor? Veremos isso na próxima postagem!

 

Obrigado pelas visitas.

Gostou das dicas? Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.

Boas leituras, e até a próxima postagem!

 


Publicado por Vitor Pereira Jr em 31/12/2017 às 16h38
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09/12/2017 14h37
DICAS DE ESCRITA - Parte 3 - UM PERSONAGEM PARA CADA ESTÓRIA

Bem-vindos, caros visitantes!

Quando vocês escrevem, como pensam em desenvolver seu personagem? Nas postagens anteriores, falamos sobre a missão do escritor e sobre o que os leitores querem. Hoje, falaremos sobre o elemento principal de sua estória, aquele que age e sofre ações na estória, o PERSONAGEM.

A palavra personagem vem do latim persona, que significa máscara teatral. O personagem, portanto, é aquele que representa um papel, que desempenha uma ação. Estória é ação. Qualquer agente de qualquer ação pode ser o personagem de uma estória. E não há limites para uma imaginação prosopopeica. Eventualmente, animais podem ser personagens de uma estória; objetos inanimados como desde uma agulha até uma cidade, e até mesmo elementos da natureza podem ser personagens de uma estória. Mas, normalmente o personagem de uma estória é um ser humano. E é deste personagem humano que vamos tratar aqui hoje.

Por que os personagens são tão importantes para uma estória? Por que alguns personagens são tão inesquecíveis? Quais suas características mais marcantes?

 

Um propósito

O que mais define um personagem é seu interesse em algo. Todo mundo quer alguma coisa, e com seu personagem isso não pode ser diferente. Nossas vidas ficam mais interessantes e estimulantes quando temos propósito. Ter um propósito nos move, nos molda, nos define. Seu personagem deve agir na estória com propósito, é isso que levará a estória adiante até seu desfecho, seja ele qual for. Ter o que se deseja não é garantia de obtê-lo, mas as ações que levarão seu personagem a conseguir o que quer é que são a verdadeira alma da estória.

 

Um conflito

É inegável que evoluímos como pessoas quando entramos em conflito, seja conflito com outras pessoas e suas formas de pensar e agir, seja conflito entre a realidade concreta e nossas expectativas e desejos internos. Seu personagem também precisa de um conflito, uma dificuldade, para que ele evolua, para que ele seja diferente do que ele era no começo da estória. Escritores não devem ter pena de seus personagens. Assim como nós, personagens devem sofrer, devem ser injustiçados, devem ser moldados a ferro e fogo para provarem seu valor. Lembre-se, assim como na vida real, quanto maior for o conflito que seu personagem enfrentar, melhor será a luta, e melhor será a estória que ele terá para nos contar.

 

Um arquétipo e uma jornada

Ter um propósito nos leva a uma busca, a uma jornada, e lutar diante de um conflito nos leva a enfrentar nossos medos e a conhecer nosso lado mais inconsciente e oculto. Com seu personagem acontece a mesma coisa, o que nos leva a conhecer os conceitos de arquétipo e da jornada do herói. Para um escritor, trabalhar com esses temas já tão difundidos, e, às vezes, tão mal difundidos, pode parecer uma cilada. Por ser um assunto tão manjado, parece que todo escritor não só é especialista em Carl Jung, Joseph Campbell e Christopher Vogler, como deveria superá-los para não parecer clichê. Mas não é clichê nem preguiça você se utilizar de figuras arquetípicas e a jornada do herói para enriquecer seu personagem se você o fizer de maneira original, refinada, inteligente e melhorada. Afinal, o próprio Campbell inicia o prólogo de “O herói de mil faces” confessando que “resta muito mais por ser experimentado do que será possível saber ou contar”. Portanto, não há nenhuma pegadinha em se utilizar de arquétipos e da jornada do herói para seu personagem, contanto que isso não limite sua imaginação. Expanda o que você já sabe e nos presenteie com uma nova interpretação, com um novo significado.

 

Uma história não contada

Todos nós entramos na vida uns dos outros já com uma bagagem que carregamos de nossa história. Seu personagem também tem um passado antes de iniciar a estória que você quer contar. Você não precisa explicitar ao leitor o passado do personagem, mas você deixará muito mais rica sua estória se você, escritor, tiver uma descrição clara de que seu personagem tem sua própria história. Desenvolva seu personagem, deixe-o verossímil como nós. Ele veio de algum lugar, teve uma criação familiar, viveu em certa época, recebeu influência de certas pessoas, construiu alguns valores. Tudo isso será revelado ao leitor conforme as decisões, pensamentos e emoções que seu personagem demonstrar. Além disso, reserve para seus leitores um suspense sobre algo no passado do personagem, mas que você, escritor, sabe. Todos nós temos nossos segredos e nunca saberemos de tudo a respeito da vida passada das pessoas que conhecemos. Há sempre algo que explica a reação de alguma pessoa, mas a causa é oculta para nós. Faça o leitor se interessar por isso da mesma forma que nos interessamos pelas vidas dos outros. Deixe o leitor curioso. O que será que levou este personagem a ser assim? Que tipo de infância ele teve? Ele teve outras opções de mudar o rumo da sua vida?

 

Uma visão particular do mundo

Existem muitas formas de se ver o mundo, de encontrar sentido nas coisas. Seu personagem deve ter impressões e expressões que são particulares a ele. Logo de cara, a estória vai ser contada na visão dele. Se o que acontece a ele é real ou não, é a impressão dele que importa. Como ele enxerga o mundo esteticamente, filosoficamente, psicologicamente, emocionalmente? Ele enxerga um mundo monocromático ou multicolorido? Ele vê o mundo à volta com mais pessimismo ou otimismo? Quanto mais seu personagem for fiel à sua própria particularidade, mais honesto ele será e mais o leitor poderá confiar nas decisões que ele tomar. Pessoas possuem personalidade, um conjunto de características típicas do ser humano que lhe são próprias. Escritores sabem que cada um de seus personagens também deve ter uma personalidade própria, é o que o tornará distinto dos demais e o aproximará do vínculo emocional com o leitor.

 

Um toque marcante

Pense em qualquer pessoa que você conheça. Pode ser um amigo ou parente, ou o dono da padaria, ou seu chefe, ou até mesmo uma pessoa desconhecida que você viu na rua um dia desses. Todas essas pessoas possuem características que as marcam, que as tornam distintas. É um jeito de olhar, de falar, de reagir ao mundo e às pessoas, de se alegrar ou se irritar, um trejeito inconsciente, um tique, uma frase típica. Seu personagem ficará muito mais divertido e marcante se ele tiver essas pequenas marcas que nos tornam únicos e reconhecidos. Certamente, seu leitor não se esquecerá dele.

 

E com essas pequenas dicas de aprendizagem, concluo esse terceiro diário de bordo. Destaquei aqui que os personagens possuem características arquetípicas, que eles possuem um passado, que eles veem o mundo de seu jeito particular, e que eles deixam sua marca no mundo.

Na próxima postagem dessa série de dicas de escrita, trataremos das características da NARRATIVA dentro de uma estória.

Gostou dessa postagem? Comente, entre em contato. Vamos compartilhar nossas ideias.

Boas leituras, e até a próxima!

 

 


Publicado por Vitor Pereira Jr em 09/12/2017 às 14h37
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