Vitor Pereira Jr
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Estória pra dormir
         Quando éramos crianças, toda vez que nossa avó nos visitava, meu irmão e eu, à noite, insistíamos que contasse a estória da estrelinha que caiu na terra.
         E era uma vez uma estrelinha que gostava muito de admirar a vida aqui na terra. Ela se debruçava na janela de sua casa e espiava a agitação dos animais que brincavam aqui embaixo. Mas a mamãe-estrela a advertia: “Estrelinha, não se debruce na janela, porque um dia você poderá cair lá embaixo e não vai saber como voltar”. Mas a estrelinha gostava muito de ficar debruçada na janela, vendo a vida se passar aqui na terra. Um dia, ela ficou tão admirada com a agitação dos bichos que se debruçou demais e caiu da janela. Ela foi caindo, caindo, e chegou aqui na terra. Quando olhou para cima, não sabia como voltar para sua casa, que estava tão distante, e começou a chorar. Alguns insetos voadores que passavam por ali ouviram o choro da estrelinha e foram acudi-la: “O que foi, estrelinha?”. “Eu desobedeci a minha mãe, e me debrucei na janela até cair aqui na terra, e agora eu não sei como voltar para minha casa, lá no céu”. Os insetinhos resolveram ajudá-la: “Não se preocupe, estrelinha. Como somos muitos, cada um de nós pode segurar em uma de suas pontas e, assim, voaremos, carregando você até o céu”. A estrelinha achou uma ótima idéia. E cada inseto segurou em uma ponta da estrela, e, com muito esforço, foram subindo com a estrelinha até o céu. Quando chegaram no céu, a estrelinha foi se desculpar com a mamãe-estrela, que ficou muito admirada e agradecida com a bravura dos animaizinhos, que olharam de volta para a terra e viram que a noite já havia chegado, e disseram: “E agora? Está escuro. Como nós voltaremos para a terra sem nos perdermos?”. E a mamãe-estrela disse: “Não se preocupem, eu vou ajudá-los”. A mamãe-estrela vestia sempre um avental muito brilhoso, que era cheio de pontinhos de luz. Ela pegou um pontinho de luz para cada inseto e colocou-o atrás de suas asas: “Pronto! Agora cada um de vocês tem um pedacinho de estrela, que irá sempre brilhar, e com essa luz vocês poderão iluminar o caminho de vocês em qualquer escuridão”. Os insetos ficaram muito agradecidos pelo maravilhoso presente, e puderam retornar para a terra. E foi assim que surgiram os vaga-lumes.

         Acredito que para minha avó ter conhecido esta estória de mito de origens, ela só pode ser uma estória de índios, que foi passada por nossos ancestrais, desde as ocas dos goytacazes até a cidade. Então meu irmão e eu éramos só dois curumins deitados na rede, aguardando perto da lareira a hora de se contarem estórias.
Vitor Pereira Jr
Enviado por Vitor Pereira Jr em 11/01/2008
Alterado em 25/10/2013


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